Belo Horizonte tem uma das cenas de arte urbana mais vibrantes do Brasil. Conheça os artistas que estão transformando espaços degradados em obras que atraem visitantes de todo o país.
Debaixo do Viaduto Santa Tereza, onde antes havia apenas pichações e lixo acumulado, hoje existe um corredor de murais que atrai fotógrafos, turistas e moradores todos os fins de semana. A transformação levou três anos e envolveu mais de 40 artistas de BH e de outras cidades.
O projeto foi iniciativa do coletivo Tela Urbana, fundado em 2018 por quatro grafiteiros que queriam criar espaços de arte acessíveis — fora dos museus, fora das galerias, na rua onde todo mundo passa.
"A gente não queria fazer arte para quem já vai a museu", diz Léo Matos, 32 anos, um dos fundadores do coletivo. "A gente queria fazer arte para quem passa de ônibus, para quem mora aqui perto, para a criança que nunca entrou numa galeria."
O viaduto virou o projeto mais conhecido, mas o Tela Urbana já interviu em mais de 30 pontos da cidade: muros de escolas públicas, pilares de viadutos, paredes de mercados populares. Cada intervenção começa com um processo de escuta da comunidade local — o que as pessoas querem ver, quais histórias querem contar.
No Aglomerado da Serra, uma das maiores favelas de BH, o coletivo passou três meses conversando com moradores antes de pintar um painel de 80 metros de comprimento na entrada da comunidade. O resultado é uma narrativa visual da história do aglomerado, com rostos de lideranças comunitárias, cenas do cotidiano e referências à cultura local.
"Quando você vê sua história na parede, você sente que existe", diz a moradora Dona Conceição, 72 anos, cujo rosto aparece no painel. "Que alguém se importou em contar."
A Prefeitura de BH reconheceu o trabalho do Tela Urbana com o Prêmio BH de Cultura em 2025. Mas o coletivo mantém sua independência e recusa projetos que considera "gentrificadores" — intervenções em bairros nobres que usam a estética do grafite sem conexão com a comunidade local.